Quentes e boas
Depois de tanto tempo, com muito para contar, mas pouco tempo para partilhar, tenho agora uma boa noticia: 6.feira vou pela primeira vez à prisão! Será apenas uma visita formal. É a festa do final do projecto "Prisões Humanas - fase I", projecto este que espero ter continuidade...Espero e por vezes desespero.
Esta condição de uma coisa que é coisa alguma [estagiário] assume por vezes contornos dsesperantes. Os horários, as caras novas, as personalidades dificeis, as coligações, o corte e costura, as intriguices... no fundo o mundo cão. A vida profissional de uma enxufada só. O estagiário que ocupa espaço, que nao sabe bem se tira a cadeira ou pede licença, que no fundo estará eternamente nomenclaturado como "pau para toda a colher".
Lá se vão todas as expectativas e sonhos fantasiados de um estágio extraordinário, magnífico, único... foram com os lenços ranhosos, com as rio que as minhas lágrimas delinearam. Mas nem tudo pode ser mau. Há amizades entretanto feitas, há um crescimento diário, há sempre o outro dia, que me alimenta a réstia de esperança que ainda me sobra.
Há também os amigos e o namorado para os dias menos bons. Enfim, haja com quem partilhar as neuras, as birras, os nervos, as alegrias, as surpresas.
Dizia-me a Carina a certa altura e a propósito desta fase de choque com a realidade, que tudo isto faz parte do crescimento pessoal. É verdade. Foi esta contatação que me ajudou a perceber então, que ao contrário do que eu imaginava, o estágio nao é para trabalhares naquilo que gostas, mas para perceberes aquilo de que não gostas. [como é útil arranjar uma desculpa sistémica para cada situação, regra geral a pessoa fica:"epá,... por acaso nao tinha visto as coisas dessa forma"]
Mas no fundo resume-se sempre a uma coisa - ver a parte positiva de cada experiência negativa. Perguntar-me-ão, se ela existe? Sim, existe sempre uma outra viaperspectivaauto-estrada. É só uma questão de ver o sinal de saída e encontrar o outro de inversão de marcha.
É nesse exacto em que me encontro. Depois de chorar, deprimir, esbracejar, chamar "#$%&/%" áquela mal-amada, mal-"#$%&", mal de maleitas ou raio que a parta, cheguei ao ponto zen. Onde a ouço falar comigo longe, lá bem ao fundo e simultaneamente vejo o seu corpo a reduzir-se, ficando do tamanho de uma ervilha. eu ouço, olho, faço ar de entendida, esboço algo semelhante a um sorriso e viro-lhe as coisas. É já um acto mecanizado.
No fundo, a pessoa sabe que é do tamanho da ervilha, uma nulidade enquanto gente, mas aos olhos dos outros faz-se passar por gigante. Típico.
É nestas alturas que eu vejo a utilidado do curso. Compreender a personalidade para poder adaptar-me a ela. Tirar proveito das suas fraquezas e elogiar as suas qualidades.
Espera, pára tudo! Reformulo. Rir-me ressabiada das suas fraquezas e desprezar as suas qualidades. É esta a vantagem de queimar pestanas durante 5 anos - saber fazer o perfil e usa-lo para outros fins.
Sim, é um pequeno monstrinho. Mas lá está outra vez, a Carina... a palavra-chave - crescimento pessoal.
Nunca se esqueçam... quando tiverem na MERDA, lembrem-se destas duas palavrinhas - crescimento pessoal
.....crescimento pessoal
.....crescimento pessoal
......crescimento pessoal.
É tipo remédio para a tosse!


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